Hoje, por sugestão de um amigo, assisti a um vídeo no Youtube que se dispunha a elencar seis motivos pelos quais o Kung Fu não prospera no UFC. A sugestão veio acompanhada de contrapontos bastante enfáticos a todos estes supostos seis motivos. No final, não achei o vídeo ruim, apenas limitado, pois, restrito àqueles que procuram no MMA um modelo de vivência das artes marciais, ele é bastante pertinente e coerente. Porém há uma grande falácia, uma enorme bravata no vídeo que precisa ser escancarada e repensada. Segundo o rapaz, não há nada além de covardia e medo que justifique a ausência de praticantes de Kung Fu no MMA ou no UFC, pois, segundo ele, todo mundo que busca a prática de uma arte marcial, no fundo no fundo, adora os espetáculos promovidos por esta indústria.
Eu gostaria de crer que as opiniões do jovem youtuber fossem apenas resultado de imaturidade e irreflexão, crise de testosterona ou empolgação pueril. Porém, não é. As falácias e bravatas são típicos instrumentos de autopromoção na internet brasileira. Por meio de polêmicas e sensacionalismo, criam-se as legiões de fãs e, junto com eles, as multidões de inimigos. Por bem ou por mal, ganham-se visualizações, likes e publicidade gratuita, numa cadeia formidável de compartilhamentos em redes sociais. Neste caso, chamar praticantes de kung fu que resistem ou não gostam de MMA de covardes, ultrapassados e hipócritas é sinal menos de mediocridade do que da mais profunda má fé sensacionalista.
Uma das características próprias das artes marciais asiáticas é a multiplicidade de formas por meio das quais elas se ocidentalizaram. Algumas, como o Sumô e o Kendo japoneses, mesmo tendo assumido um caráter esportivo, mantiveram profunda relação com as suas origens étnicas, culturais e filosóficas. Outras, como o Aikido, persistem ainda hoje alheias à esportivização. O Karatê, hoje olímpico, precisou esperar a morte de Funakoshi para estabelecer as suas primeiras competições. Jigoro Kano, o homem que levou as Olimpíadas para o Japão, era um crítico ferrenho da prática do Judo como esporte competitivo. As diversas disciplinas do Budo sempre pensaram no esporte, no mínimo, como secundário na vivência marcial. Não se propunham como modalidades esportivas de luta, mas como caminho marcial de educação e auto cultivo. Isso não impede que praticantes dessas artes se tornem lutadores e competidores, mas é absolutamente falso dizer que quem as procura, no fundo, gosta é de ver sangue no octógono e só não admite por "medinho", por "desculpinha"...
No universo das artes marciais chinesas (tradicionais), é semelhante. O objetivo primordial da prática nunca foi a competição. Não estou afirmando que as competições não existam, não existiram nem que não devam existir. Afirmo tão somente que elas não estão nem nunca estiveram no centro da prática. Quando as artes marciais chinesas começaram a se massificar, entre o final do século XIX e o início do XX, o que se buscava era sobretudo um modelo nacional de educação física, entendendo-o como instrumento para a edificação do povo chinês, recuperando a saúde, a dignidade e a auto-estima nacionais. Várias das escolas que conhecemos e praticamos hoje são herdeiras desta perspectiva das artes marciais chinesas como formativas do caráter (pessoal e social) do praticante. É atrás disso que muita gente vai.
Nem todo mundo que entra para o Kung Fu vai atrás de se tornar uma estrela do UFC. Uma grande parte não entra nem interessada em competir. Várias são, inclusive, crianças levadas pelos seus pais, que procuram uma atividade, ao mesmo tempo, boa para a saúde do corpo e construtiva como complemento ao processo de educação. Nada impede, de fato, que, com adaptações, o Kung Fu (e mesmo o Tai Chi, como já vimos em outros textos deste blog) participe de um diálogo com o MMA; porém, reduzi-lo ao destino inexorável de promover este diálogo, é falácia e bravata.
Há espaço nas artes marciais (chinesas) para diversos públicos, com as suas diversas motivações e vários interesses. Há espaço, inclusive, para os lutadores, os esportistas e os competidores. Não deveria haver espaço para bravateiros, que desrespeitam seus colegas, denigrem a arte e caçoam de seus professores apenas para conquistar likes e visualizações, moeda contemporânea para quem almeja um lugarzinho ao sol neste império de mediocridade das celebridades virtuais. Quem quiser ir para o MMA que vá. Boa sorte, mas respeito e gratidão não são coisas que se ensinam por lá, como se pode perceber pelo comportamento de alguns de seus fãs.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Treinamento: inventividade e o prazer dos desafios.
Hoje, abrimos espaço neste blog para uma publicação diferente. Temos mais um importante convidado, o Professor Roberto Cardia. Ele nos autorizou a reproduzir textos e imagens publicados em seu perfil no Facebook no nosso blog. Dentre quatro publicações que ele nos sugeriu, escolhi duas delas para mostrar aqui. No caso, duas publicações que relatam a inventividade do treinamento, combinando grandes desafios físicos e técnicos com a integração do homem ao ambiente que o circunda e com a sua história. Treinos ao ar livre são excelentes meios de compreender melhor os movimentos e os seus efeitos em distintas condições. Mais ainda quando exploram a bela paisagem e a rica natureza da cidade do Rio de Janeiro, inseparável também de histórias e tradições. O leitor deste blog terá a possibilidade de conferir um relato de experiência de treinamentos de Taekwondo em plena Mata da Tijuca, em escadarias originalmente esculpidas por escravos no século XIX e em pontes estreitas presentes na trilha.
Roberto Cardia, é professor de Taekwondo no Rio de Janeiro e um dos pioneiros no ensino desta arte marcial para portadores de deficiência visual. É autor dos livros "Taekwondo Arte Marcial e Cultura Coreana", volumes I e II, e um importante estudioso da cultura das artes marciais em nosso país. É uma grande alegria recebê-lo neste espaço. Obrigado, professor Roberto Cardia, pelo seu depoimento de memória.
Roberto Cardia, é professor de Taekwondo no Rio de Janeiro e um dos pioneiros no ensino desta arte marcial para portadores de deficiência visual. É autor dos livros "Taekwondo Arte Marcial e Cultura Coreana", volumes I e II, e um importante estudioso da cultura das artes marciais em nosso país. É uma grande alegria recebê-lo neste espaço. Obrigado, professor Roberto Cardia, pelo seu depoimento de memória.
Nas Escadarias do Pico da Tijuca
Por Roberto Cardia
Em toda minha jornada de praticante sempre quis os treinamentos mais duros possíveis porque acreditava que a repetição e o esforço físico me levariam em ao menos um degrau acima do que já estava. Desenvolvi várias formas de treinamentos as quais me deram resultados positivos. Entretanto, uma parte de mim, queria manter a dificuldade com bons resultados, mas com modificações nos treinos ao ar livre que já estavam repetitivos. No ano 2000 os esportes radicais estavam com tudo e neste enredo já estava pensando em algo radical também, procurando por lugares/espaços diferentes para minhas novas atividades. Uma das ideias que tive e gostei muito de praticar foi a subida de 118 degraus de rocha no Pico da Tijuca (vale a pena pesquisar pela história da construção destes degraus). Algumas partes são bastante íngremes e outras expostas ao risco de queda e rolamento. A caminhada era notória assim como algum treinamento que faria com o Felipe, um dedicado aluno que sempre me acompanhava. Ao chegar no pé da escadaria, onde dá acesso ao cume com uma visão maravilhosa, pedi para ele segurar a raquete enquanto subia. Ele foi subindo de costas segurando a raquete enquanto eu chutava ogul bandal chagui (chute circular na altura da cabeça). Não foi muito fácil porque o ambiente não é plano e simétrico assim como havia vento, sol e o cuidado de não cair ou me lesionar de alguma forma. As correntes ao lado, bastante grossas por sinal, eu recusava em amparar-me para que pudesse treinar o equilíbrio. Muito difícil! Isto ocorreu em março de 2001 e confesso a vontade de refazer o treinamento, mas se voltar o registro fotográfico deverá acontecer. A foto acima é de 2013 quando levei meus filhos lá, as restantes eu copiei na internet. Talvez tenha sido o primeiro a chutar subindo as escadarias esculpidas inicialmente por escravos no século XIX e depois reformados no século XX. Vale a pena unir história com treinamento de Taekwondo.
Antes do treinamento de subida das escadarias dos 118 degraus do Pico da Tijuca, estava em uma de minhas caminhadas na Floresta da Tijuca com finas de treinamentos técnicos de Taekwondo (1999). Resolvi treinar chutes em uma ponte ligeiramente estreita com intenção de realizar um ogul mondolio chagi (chute por trás desferido geralmente com o calcanhar, mas na altura da cabeça) e também com um ogul bandal chagi (chute semi circular na altura da cabeça, geralmente com o peito do pé). A ponte balançava muito, parecia que iria ruir e mesmo assim eu não queria me respaldar com as mãos na corda, pois precisava da dificuldade para vencer o novo obstáculo que me propus a realizar. A maior dificuldade foi executar o primeiro chute mencionado anteriormente porque precisava girar com a perna dobrada, elevar/esticar/puxar com a intenção de desferir o golpe em um ângulo muito menor do que o convencional, onde a altura das cordas não ajudava: era um pouco alta para execução da técnica apontada. O treinamento foi rápido, mas muito importante para refletir o quanto podemos chegar no alvo mais rápido e com técnicas que têm um trajeto diferente ao tradicional. As fotos apresentadas foram coletadas na internet e me parece que a ponte foi restaurada. Como sempre o meu grande amigo de treino foi o Carlo Felipe e o nome da ponte é “Ponte Pênsil”, localizada no Rio de Janeiro, na Floresta da Tijuca. Também não bati foto do treino desta vez, ficando apenas na memória de dois praticantes.
sábado, 16 de setembro de 2017
Chi Kung: dissipando mitos e equívocos - Sifu Robson Macedo
Mais uma vez, o blog Caminhos Marciais e Humanidades recebe a colaboração de um convidado. Temos a honra e a alegria de receber um texto do mestre Robson Macedo, uma das grandes referências das Artes Marciais Chinesas no Brasil.
Sifu Robson Macedo pratica Kung fu Hung Gar a mais de 35 anos. Formado em Educação física. Foi discípulo do renomado mestre chinês Li Hon ki, tendo aprendido do seu mentor: Kung Fu Hung Gar, Tai chi Wu Dan e TCM. Foi fundador da Primeira Federação de kung Fu do estado do RJ (FKFERJ), bem como fez parte do Conselho de Mestres do Brasil, que por hora criou a Primeira Confederação de Kung Fu do Brasil (CBKW).
Neste texto, escrito originalmente há pouco mais de um ano, Robson Macedo nos apresenta a sua concepção de Chi Kung (ou Qigong, a depender do sistema de romanização) e indica algumas das suas potencialidades como prática voltada à educação integral. Trata-se de temática fundamental. O Chi Kung está presente na essência das artes marciais e também da Medicina Tradicional Chinesa. O conceito de Qi (Chi) ou Ki (no japonês) é indispensável para a compreensão plena das artes marciais como "caminho", tendo destaque central na proposição de todos os grandes mestres do Budo e das escolas tradicionais de "Kung Fu".
Muito obrigado, Sifu Robson Macedo, pela generosidade e pelos ensinamentos contidos neste texto. Xie xie!
Chi Kung: dissipando mitos e equívocos
Por Robson Macedo
Dê-me uma alavanca e um
ponto de apoio, e eu moverei o mundo”.
– Arquimedes
Desde quando comecei a treinar “Chi Kung” com o meu Mestre, sempre ouvi e li a respeito das coisas extraordinárias que eram possíveis de se realizar ao dominarmos estas práticas. Tais relatos versavam de exímios praticantes que tinham despertado vários poderes: quebravam vários tijolos com a cabeça e com socos, andavam sobre cacos de vidro e pregos, passavam através de paredes, curavam à distância e até desenvolviam o dom da levitação e invisibilidade. Por ser o “Chi Kung” uma disciplina regular do Tai Chi Chan e do Kung Fu Hung Gar no “curriculum” da escola do meu mentor marcial, fui introduzido nesta prática muito cedo.
“Chi kung, Qi Gong ou Kikō (em chinês simplificado: 气功; chinês tradicional: 氣功; pinyin: Qìgōng; Wade-Giles: ch'i4 kung1; em japonês: kikō (気功); em tailandês: ชี่กง) é um termo de origem chinesa que se refere ao trabalho ou exercício de cultivo da energia. Estes exercícios têm a finalidade de estimular e promover uma melhor circulação de energia Chi (energia vital) no corpo, ou seja, treino e desenvolvimento da energia (do corpo humano).” Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Chi_kung
Dos mais conhecidos, podemos citar as técnicas ou Postura da Árvore (Zhan Zhuang Chi Kung), a postura ou técnica do Chi Kung da Tartaruga Dourada, Chi kung da Camisa de Ferro, Chi Kung da Palma de Ferro e tantos outros. Com o tempo, inquiria-me ansiosamente e silenciosamente quando que Sifu Li Hon Ki iria me ensinar a “atravessar as paredes... (???)”
Nos mais de 35 anos de prática e ensino, percebo que estes mitos ainda são vigentes. Encontram-se bastante arraigados na cultura ocidental, presos talvez a nossa ancestralidade e que ao lado da vertente “filosófica”, muitas superstições associadas a algum panteão, continuam vivos até hoje, ao menos dentro do universo marcial que estou inserido. Pensamos sempre na via mais fácil, com atalhos, e que esse caminho tem uma relação com fatores externos ao nosso ser.
Desde que me conheço como indivíduo e faço parte do campo das artes marcais comumente me deparo com espetáculos em que os executantes fazem coisas extraordinárias, totalmente fora da nossa realidade. Monges de Shaolin viajam o mundo fazendo demonstrações fantásticas com números que transcendem nossa lógica e compreensão, sem falar é claro, dos filmes de Kung Fu que também retratam e enfatizam estes feitos marciais sobre-humanos.
Um ancião que estava à margem de um rio encontrou Buda e lhe disse: Passei toda a minha vida treinando e agora consigo caminhar sobre as águas do rio. Então Buda respondeu. “É mesmo, mas eu prefiro atravessar o rio de barco.”
Sabemos que, no passado, certos artistas marciais na China se concentravam e criavam ilusões “denotando um domínio excepcional de poderes mágicos”. Pessoas que podiam realizar proezas, como elevar pesos que contrariavam as leis de gravidade e a capacidade humana, pessoas capazes de voar e de se teletransportarem e outras que tinham o poder da telecinesia, ultrapassando os limites da física clássica e da biomecânica. No entanto, estes números eram apenas de ilusionismo.
Do mesmo modo, o ocidente também tem seus mágicos, como os conhecidos Mister M e o David Coperfield. Este último já voou o Gran Canyon (próximo a Las Vegas nos EUA), fez desaparecer a Estátua da Liberdade, sumiu com um avião e atravessou a exuberante e imponente Grande Muralha da China. Porém, torno a afirmar a redundante assertiva de que tudo não passa de mágica, que são truques, ou melhor, números de ilusionismo.
“No cinema, “aceitar” essas liberdades não é diferente, vemos um homem que nasce velho e cresce até virar bebê. Em outro cenário cinematográfico, um mundo habitado por trolls, elfos, Orcs, homens de 200 anos e magos poderosos. Em outra história, vemos um grupo de pessoas que vive em uma realidade imaginária e que, despertados, luta contra as máquinas, que dominaram o mundo e induzem toda a humanidade a um sono hipnótico.” Fonte: http://www.upf.br/pontodecinema/?p=447
Ao assistirmos a um show de ilusionismo em que uma moça seja serrada ao meio, temos a lucidez de saber que não foi mágica (algo real) e sim que se tratava apenas de técnicas de ilusionismo, mas que para que tivéssemos “o barato do show”, eliminamos o ceticismo e nos divertimos com “os poderes sobrenaturais dos artistas”. E então a razão nos faz a seguinte pergunta: "como podemos aceitar tamanhos absurdos sem contestar em nenhum momento o que estamos vendo à nossa frente?"
Do ponto de vista sócio histórico, o lúdico é um fenômeno cultural e não biológico, Huizinga (2008). A “mágica ou a ilusão” está carregada de valores afetivos e relacionais que envolvem o encantador e o encantado, o sedutor e o seduzido, ou seja, repleto de "ludicidade". Por isto somos capazes de assistir um filme ou um show e ficarmos extasiados, e tudo isto graças a um determinado “estado mental permitido”. Esta ideia denominou-se como “suspensão voluntária da descrença”, termo tradicionalmente aplicado no cinema, na literatura, no teatro e até em jogos dos games.
Por outro lado, se sairmos do show ou cinema e alguém quiser nos vender um carro voador, mesmo que o vendedor possa demonstrar algo que tente nos convencer de que de fato o carro voa, precisamos exercer o nosso ceticismo para não sermos enganados. Como se diz no popular: “levar gato por lebre”. De alguma forma em outros filmes, o simples fato de um homem pular de um telhado, cair rolando no chão e sair correndo nos faz exclamar que “ele deveria ter quebrado a perna ali, não poderia seguir correndo?” Não aceitamos a cena, discordamos da fantasia, isto porque neste instante estamos exercendo o ceticismo, o nosso raciocínio crítico. A “suspensão voluntária da descrença” permite que aceitemos certos absurdos e a ausência deste estado também nos faz que não perdoemos coisas bem mais simples...
O cultivo do “chi ou da energia” no ser humano é de fato um compromisso que assumimos com nós mesmos e com o nosso desenvolvimento e isto se traduz em treino e muito treino, sem firulas, ilusões, truques, sem devaneios e sem fórmulas mágicas. Leva muito tempo, sendo fundamental a paciência, muita prática e os resultados refletem nas atividades simples da vida diária (AVD) que são as nossas atividades ordinárias (estas mesmas do cotidiano), nada do outro mundo que contrarie leis e princípios universais. Os exercícios não são fórmulas transcendestes de saúde eterna e longevidade, mas processos que nos ajudam a “estarmos no aqui e agora”, vivendo o presente e aprendendo a lidar da melhor forma possível com as demandas da vida, com as impermanências e intempéries da existência, sempre em conformidade com as nossas reais potencialidades e limitações.
“Entre a força e a técnica, vence a técnica. Se a força e a técnica forem iguais, vence o Espírito.” (Miyamoto Musashi)
A filosofia chinesa ou pensamento chinês tem seus primórdios, suas raízes em priscas eras, com tratados e prolegômenos sobre política e ética:
"A filosofia chinesa corresponde ao pensamento filosófico que foi desenvolvido na China ao longo de milhares de anos. Se caracteriza pelo aspecto prático, procurando orientar o ser humano sobre como se portar com harmonia em sua vida cotidiana, em oposição à especulação teórica pura típica da filosofia grega. O conceito de união com a natureza e o conceito de forças opostas Yin Yang do taoismo também são elementos capitais na filosofia chinesa, bem como a ênfase na benevolência, justiça, retidão e respeito à autoridade. Como uma de suas obras fundamentais, cita-se o "Livro das Mutações", ou I Ching". Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_chinesa
O “Chi Kung”, em sua gênese, é uma arte de “recarregar as nossas baterias”, de reorganizar a estrutura corporal, otimizando o seu potencial energético. De uma forma harmoniosa, busca fundir relaxamento, movimento, serenidade, concentração e disciplina - aspectos que são inerentes a essas “práticas energéticas”. O treino consiste de posturas que são alternadas com exercícios dinâmicos, onde se enfatiza o aquecimento e trabalha exercícios que auxiliam uma maior compreensão do método, sendo este apenas uma ferramenta meio.
“Chi Kung” é “filosofia oriental” com ciência ou vice-versa, pois:
“A ciência do Qigong é baseada no axioma de que a mente tem a capacidade de dirigir o chi. Você pode praticar qigong e começar a sentir os nervos, e esta capacidade aumenta com o tempo. Você pode literalmente aprender a ir dentro do seu corpo com a mente, sentir o que está lá, e direcionar o seu chi, onde ele precisa ir. Este não é um processo misterioso, mas natural, que pode ser adquirido com o tempo e esforço.” Fonte: http://www.praticasalternativas.com/qigong.php
Considerações Finais:
Nos conceitos da Medicina Tradicional Chinesa, o trato com o corpo e a psique humana estão diretamente associados com a qualidade e quantidade da “energia chi”. As artes orientais como práticas expressivas, psicossomáticas e integrativas buscam a harmonia e autoconsciência utilizando-se da experiência corporal. “Pela linguagem do corpo, você diz muitas coisas aos outros e o corpo antes de tudo é um centro de informações, sendo essa uma linguagem que não se mente, comunicação não verbal”, (WEIL, 1986). O lugar do corpo no paradigma do ser integral se apresenta tanto como o lócus da integralidade do ser dentro de uma visão teórica, mas também como um espaço por onde se é possível ensaiar e conhecer essa integralidade. O trabalho educativo destas práticas baseia-se na concepção de “corpo multidimensional” e na práxis que se objetiva em perceber estas dimensões, de modo que esse conhecimento não seja um falar sobre, mas sim um entrar em contato com, na busca do autoconhecimento. O “Chi Kung”, em linhas gerais é um método ou uma técnica de cultivar a nossa relação com a força da vida.
Meus Respeitos aos Ancestrais e a todos os Mestres das AMC !!!
Muito Obrigado a todos!
sábado, 12 de agosto de 2017
"Isso não é Taijiquan!" - compreendendo a arte marcial sem limitações
Desta vez, nosso blog abre espaço a um convidado que é mais do que de casa. Fabrício Pinto Monteiro é uma das principais referências técnicas e teóricas da Federação Mineira de Kung Fu Kuoshu. Tem sido o responsável pela padronização do seu Sistema Básico de Graduação e pela continuidade da formação técnica dos nossos instrutores e professores, dentre os quais me incluo. O Fabrício possui uma vida (tão longa quanto alguém tão jovem permite dizer...) dedicada às artes marciais chinesas. Começou a praticar o Zhong Wudao na academia do Ms. Huang Yu Sheng há mais de 20 anos. Hoje, como aluno do professor Niltoamar, importante referência em Uberlândia-MG, formou-se em algumas escolas: o próprio Zhong Wudao, o Nanbei Wudao (compilação de alguns estilos realizada pelo professor Niltomar e articulados conforme a sua leitura de arte marcial), o Wushu Moderno do Ms. Huang Hsiao Po e, atualmente, dedica-se à escola de Neijiaquan do Ms. Wu Tan Xien, de Hong Kong, representada, no Brasil, pelos seus dois filhos: Wu Tan Qing e Wu Tan Ming. Fabrício é também historiador de formação e professor na educação básica. Publicou já vários artigos e livros, sendo alguns deles sobre aspectos da história social do Kung Fu. Destaca-se, entre eles, "História das Artes Marciais Chinesas: Tradição, Memórias e Modernidade", no qual ele apresenta, após densa introdução ao desenvolvimento do kung fu na China, a proposta de Zhong Wudao do Ms. Lin Zhong Yuan, de Taiwan. Para finalizar, é preciso dizer que o Fabrício, além de um excelente amigo, é um parceiro sem o qual nosso programa e nossos projetos não existiriam. Sua interlocução, apoio e trabalho são indispensáveis para nós, de modo que não há agradecimento que seja suficiente no caso dele. Ainda assim, muitíssimo obrigado, Fabrício!
Vamos ao Texto!
"Isso não é Taijiquan!" - compreendendo a arte marcial sem limitações
Por Fabrício Pinto Monteiro
O tema deste texto não é exatamente novo, mas considero que sua discussão é interessante para que estudantes que estão começando sua prática nas artes marciais possam, desde o início, refletir sobre sua relação com as mesmas. Pensá-las um pouquinho além da atividade esportiva, por exemplo, e vivenciá-las como um Caminho mais amplo para suas vidas.
Para começar, deem uma olhada no vídeo abaixo:
Este é Nick Osipiczak, um lutador profissional britânico, praticante e professor de Taijiquan, Yoga e Qigong, que estuda as artes marciais internas para uso, entre outros focos, no MMA.
Não se preocupem! Não falaremos do desgastado assunto “Taijiquan funciona mesmo como arte marcial?”, ou ainda, “as artes marciais tradicionais são páreo para o MMA?”. A discussão aqui é outra e provém das impressões de várias pessoas ao assistirem um vídeo como o de Osipiczak, em que um lutador apresenta-se de forma explícita como praticamente de determinado estilo ou escola em um contexto esportivo de artes marciais mistas.
NOTA: Chicote Simples (单鞭, danbian), repelir o macaco (倒撵猴, daonianhou)
e agulha no fundo do mar (海底针, haidizhen) são exemplos de técnicas presentes na
Forma Longa estabelecida pelo Ms. Yang Chengfu na nomenclatura
pela qual são conhecidas em português no Brasil.
Nick Osipiczak parece ter uma consciência muito clara de “onde está” seu Taijiquan no UFC, e ele a ensina de maneira bem direta em vários de seus vídeos e entrevistas. Como uma arte interna, o Taijiquan não se define por seus movimentos externos. É meio lógico, não? O Taijiquan (e, na verdade, qualquer outra arte marcial) não nos ensina simplesmente golpes fixos; ele não deve nos limitar, pelo contrário, deve expandir nossa consciência corporal e mental em direção a uma movimentação livre e natural. As artes marciais ensinam a nos movimentar, apenas isso. E esse “apenas” não é pouca coisa, certo? Movimentar-nos de forma mais eficiente, econômica, harmônica, flexível… Movimentos, de preferência, que gerem energia e aproveitem a que está ao nosso redor; não que consumam nossa própria energia até o esgotamento. Sendo um pouquinho mais profundo, as artes marciais nos ensinam como nos relacionar – nos mover, física e mentalmente - com tudo o que está ao nosso redor, tendo em vista essa harmonia e essa criação de energia. Tendo consciência desse ensinamento das artes marciais, começamos a escapar de sua vivência apenas como um esporte (o que continua sendo um aspecto válido e útil) e nos abrimos para experienciá-las como Caminho, como um todo em nossa vida.
“Tá”, você me responde, “mas que aquele gancho é do boxe, é!”. Tudo bem, você está certo. Chegamos aí em um outro aspecto importante das artes marciais: elas são históricas. A luta, a guerra como um todo são elementos humanos e históricos. Por mais que a propaganda do UFC afirme que o octógono é o “ambiente definitivo” de contenda entre dois homens ou mulheres, o cara-a-cara mais cru possível para testar a eficiência objetiva das técnicas de cada um, sabemos que isso é um exagero.
Em cada época e ambiente social, luta-se de acordo com formas aceitas e criadas por determinadas culturas. Não é difícil perceber como os atletas de lutas mistas lutavam de modos diferentes há 20, 40 e 100 anos, por exemplo. Cada cultura, nesse caso específico, temporalmente falando, possui um jeito “certo” e “eficiente” de lutar para aquele determinado grupo social. Claro que aproveita-se a experiência do passado, mas não há uma linearidade rumo ao “sistema perfeito” como muitos propagandeiam – senão, depois de milhares de anos de guerras, a humanidade já deveria ter chegado na arte marcial perfeita, não é?, uma arte que inexoravelmente venceria todas as outras.
Desde o século XIX, as nações ocidentais – e depois as orientais, desde os processos de domínio, colonização e influências culturais – tiveram alguns paradigmas fortes sendo construídos como parte da estética, da ética e da técnica consideradas “belas” e “boas” para as lutas de mãos vazias. Paradigmas que envolveram o boxe inglês, a luta romana e a esgrima francesa, sobretudo. Não vou usar a palavra “contaminar”, pois ela conota algo negativo e não se trata necessariamente de julgar isso como algo mal, mas essa cultura influenciou e influencia de várias maneiras diferentes nosso modo de lutar, independente da arte marcial praticada.
Uma luta é um diálogo, como se diz na capoeira, mas só existem respostas para as perguntas quando minimamente se fala uma língua parecida. Deve-se considerar a Huka-huka tradicional menos eficiente que o jiu-jitsu ao pegarmos um indígena do Mato Grosso e ele perder uma luta em um tatame? Acho que não. Lembram que o Anderson Silva tentou isso (ver o vídeo abaixo) e se deu mal enquanto as regras eram dos indígenas… mas, milagrosamente seu grappling voltou a ganhar eficiência logo que as regras mudaram para as dele…
NOTA: Huka-huka é uma arte marcial de algumas etnias indígenas do Mato Grosso, especialmente nas áreas
do Xingu e dos Bakairi. Trata-se de uma luta com forte conotação ritual, estando associada ao culto dos
ancestrais, na "festa" do Quarup, em reverência ao herói Mawutzinin. Atualmente, a modalidade
vem ganhando popularidade como uma arte marcial de caráter étnico e está inserida, assim como a
Capoeira e a luta Marajoara, em currículos de Educação Física na Educação Básica do Brasil.
O vídeo é uma clara peça publicitária para vender suco de açaí, fruta associada à região amazônica.
Voltemos agora a Nick Osipiczak e o taijiquan.
Há uma cultura, uma linguagem muito particular nas lutas de MMA e no UFC, traduzida em proibições e permissões de movimentos, duração dos combates, o que é considerado “vitória”, o papel da plateia, da mídia e patrocinadores no combate, a área onde a luta ocorre, o que se considera fairplay ou não e, sobretudo, as motivações de cada um estar ali. Se você não participar dessa cultura, não há luta: seja porque um deles será “derrotado” de forma rápida e estrondosa, seja porque um deles sequer estará lá.
O que o professor Osipiczak nos ensina é que o Taijiquan enquanto arte marcial consegue, se este for o desejo, participar desse diálogo. Seus princípios internos podem se manifestar externamente em palavras, quero dizer, em técnicas, em movimentos, que os demais envolvidos no MMA entendem. Ganchos, uppercuts, armlocks e tal carregam em seu interior projeções de energia, enraizamento, centros de equilíbrio, trabalho de respiração, desvios e redirecionamento de força, trabalhos de pernas e bases caríssimos ao Taijiquan. Mesmo não sendo fã dele, ou do UFC, recomendo voltarem depois a seu canal no Youtube, “Raised Spirit”, e conhecerem alguns dos vídeos instrucionais, bem como em seu website.
Você pode não gostar de suas lições ou considerar que suas pesquisas não estão sendo pertinentes ao Taijiquan ou ao MMA, mas é uma experiência muito válida que está compartilhando conosco.
Ah… e antes de terminar, um bônus para outra discussão: o Taijiquan de Nick Osipiczak é de estilo Yang, quando nos últimos anos estamos (mal) acostumados a pensar diretamente no Taijiquan Chen ao nos referirmos aos aspectos marciais dessa arte...
domingo, 6 de agosto de 2017
O que fazer quando um aluno questiona uma técnica?
Nosso blog, hoje, abre espaço para a colaboração do excelente educador em artes marciais, Jerônimo Marana. Jerônimo é educador físico pela Unicamp e possui formação em diversas artes marciais, especialmente o Hapkido, o Shaolin do Norte e o Yiquan. Mantém um dos mais interessantes blogs sobre o tema na Internet brasileira, que inclui um canal no Youtube. Ele também é colaborador do portal Wuxia, site especializado em artes marciais chinesas. É professor na Academia Trajano Center, em Valinhos-SP. Nós, do projeto "Caminhos Marciais, Humanidades e Educação Integral", temos muito orgulho de recebê-lo por aqui e de tê-lo como interlocutor. Convidamos todos a conhecer melhor as ideias deste professor, que quebra paradigmas engessados e propõe um olhar atual e sério sobre as artes marciais tradicionais, explorando a sua enorme riqueza para o desenvolvimento humano.
Vamos ao texto!
O que fazer quando um aluno questiona uma técnica?
Por Jerônimo Marana
Existe
uma situação muito frequente nas aulas de artes marciais, que acontece quando o
aluno questiona uma técnica. Eu já presenciei diversas situações como essa e
embora seja muito simples de lidar, infelizmente muitos
professores fazem isso da maneira errada.
Erros que os professores cometem quando o aluno questiona uma técnica
Muitas
vezes, ao aprender uma técnica, o aluno pergunta: "mas professor e se o
cara fizer isso?". Então ele faz alguma coisa que impede o professor ou
companheiro de aplicar a técnica. Não há professor que não passe por isso ou
que não tenha passado e se não passou, ainda vai passar. Então o
professor, sabendo de antemão o movimento do aluno, recorre a uma
maneira arcaica de calar o aluno. A tática é assim que o aluno impedir a aplicação
do golpe, dar uma pancadinha em algum lugar para distrai-lo. Então, o
professor aplica a técnica com força para subjugar o aluno, dizendo que o
agressor nunca sabe o que você vai fazer, pois a técnica é elemento surpresa.
Acontece
que o aluno está em desvantagem, pois o professor já sabe o movimento do aluno,
que por sua vez não sabe qual vai ser o movimento do professor. Existem
"professores" que orientam os seus subordinados, seus instrutores,
a recorrer a essa prática quando o aluno questiona uma técnica. Eles dizem
que é preciso fazer a técnica funcionar, não importa como, porque o
professor não pode deixar dúvida para o aluno.
Outro
erro é dizer o que ou quanto o aluno é ou não capaz de aprender. Há mais
ou menos um ano atrás, eu assisti um vídeo que me deu a ideia de falar sobre
esse assunto. O professor ensinava uma técnica muito simples. Em um momento ele
disse que muitos alunos fazem aquela mesma pergunta do início do artigo. Então
ele disse que ensinaria apenas uma técnica, porque senão seria muita coisa
e o público não iria conseguir aprender. Isso ilustra bem alguns erros cometidos frequentemente por muitos professores.
Dois paradigmas que precisam ser quebrados
Existe
nisso um paradigma que precisa ser quebrado, que é achar que é preciso
dominar uma técnica antes de aprender outra. Eu já desmenti essa crença em um dos
primeiros vídeos do meu canal, que você pode assistir abaixo. Nele eu explico que é muito mais fácil dominar uma técnica se você aprender outras.
O
segundo é achar que um aluno não é capaz de aprender alguma
coisa, pelo motivo que for. Professores dizem que os alunos devem aprender
apenas uma técnica por vez, caso contrário, é muita coisa de uma vez só. É
muita informação e por isso o aluno não vai conseguir assimilar. Ou então
porque a técnica em questão é mais simples e o que o aluno quer aprender é mais
difícil. Eu tenho que ser crítico nesse aspecto e perguntar qual é a base para
dizer o quanto ou o que alguém é ou não é capaz de aprender. Só diz isso quem
não entende o processo de aprendizado. Se alguém não consegue aprender, é
porque alguém não é capaz de ensinar.
O que pode acontecer quando o aluno questiona uma técnica
Quando
o professor diz que o aluno não vai conseguir aprender, duas coisas podem
acontecer. A primeira é perder sua confiança, o que é justo, pois é ruim
para o próprio professor. A segunda é levá-lo a criar uma autoimagem de alguém
dependente do professor, que nunca conseguirá ultrapassá-lo e nem mesmo
igualar-se a ele. O próprio aluno passa a duvidar da sua capacidade e aceitar
que outra pessoa defina o que ele/ela é ou não capaz de fazer.
É
preciso entender que o que é difícil para um nem sempre é difícil para
outro. As pessoas tem dificuldades e facilidades diferentes por causa da
sua história de vida e das suas experiências motoras. O caminho que o professor
percorreu não é igual ao de nenhum aluno, cada um tem as suas particularidades.
Ninguém começa na arte marcial ou em qualquer outra atividade com as mesmas
habilidades. É preciso explorar as potencialidades e habilidades de cada um
para ensinar a partir daquilo que lhes é mais fácil. E o que é mais fácil para
o aluno nem sempre é aquilo que o professor considera mais fácil. Da mesma
forma o que é mais fácil para um aluno, nem sempre é mais fácil para outro.
O que fazer quando o aluno questiona uma técnica
O
terceiro erro é não levar em consideração as ideias do aluno, pois elas
podem ter um valor imenso. Quando o aluno questiona uma técnica é importante
demonstrar e convidar a experimentar. O que o aluno pergunta tem significado
para ele e por isso pode ser mais fácil ensinar a partir daquilo. Nós
professores precisamos estar preparados para redirecionar a aula e ensinar a partir
daquilo que os alunos trazem. Muitas vezes isso pode ser necessário e às
vezes funciona melhor do que o que foi planejado, afinal nem sempre o que
planejamos dá certo ou é o melhor caminho. É preciso ter sensibilidade para
mudar de acordo com o que o momento exige.
Se
não for possível trabalhar com a questão naquele momento, é
preciso primeiro demonstrar interesse por ela. É preciso comentar a
respeito e demonstrar algum exemplo. Só depois se deve dizer que
naquele momento aquela questão não será aprofundada porque será feita outra
coisa. Então, assim que possível ela deverá ser trazida de volta. Se não
for possível naquela aula, é preciso planejar para abordá-la em outra. Se
não tiver uma resposta imediatamente, é preciso dizer que vai pensar e
tentar responder em outro momento. Ou, melhor ainda, convidar os alunos para
tentar descobrir uma resposta juntos.
Quando
o aluno questiona uma técnica é muito fácil lidar com a situação, se
houver conhecimento e boa didática. O que não se deve fazer em hipótese alguma
é fazer o aluno se sentir ignorado. O aluno deve sentir que as suas
ideias tem importância, mesmo que não funcionem. É preciso colocá-las para
serem estudadas, mesmo quando sabemos que não dá certo. Essa é a melhor forma
de ensinar. Mas infelizmente o professor comum dirá que aquilo é difícil
para o aluno ou que é muita informação de uma vez.
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